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quarta-feira, 2 de abril de 2008

“Quantas mortes ainda serão necessárias,




Bem amigos, peço desculpas pela ausência nas duas últimas semanas, mas infelizmente me juntei ao triste número de infectados pelo mosquito da dengue, me tornei mais um na multidão de prejudicados pela ausência do poder público.
Bom, o fato é que março findou-se e com ele os maus fluidos de um período conturbado, onde não faltaram escândalos na política municipal. E completando o cenário, uma epidemia mortal de mosquitos da dengue por todo Estado do Rio.
Enquanto assistia a tudo isso, imóvel sob uma cama, pude perceber o quanto as crises estão relacionadas, e o quanto estão longe de serem resolvidas. Fato que tomo como ponto de partida, a ausência do poder público em todas as áreas sociais.
Digo isso por entender que política pública está relacionada ao bem-estar social, com educação, saúde, direitos e deveres para todos, sem distinção de cor, credo político ou religioso.
Não sou inocente e também não poderia crer na inocência da raça humana, assim, pego emprestadas as palavras do cantor americano Bob Dylan que, ainda nos anos 60, teve a coragem de colocar seus pensamentos em uma canção, onde pairava a seguinte pergunta;
“Quantas mortes ainda serão necessárias”,
para que se saiba que já se matou demais? (“...)”

Bob Dylan, assim como a maioria dos artistas dos anos 60, se tornou um ícone na luta pela liberdade e pelos direitos civis para todos. Heroísmo que o mesmo nega até os dias de hoje por achar que é responsabilidade de todos, pensar e agir de maneira coletiva, sem deixar de ser um simples humano com erros e defeitos.
Mesmo assim, suas canções são cantadas em todo mundo como verdadeiros poemas. Os hits; "Blowin' In The Wind", “A Hards-Rain a Gonna-Fall", "Masters Of War", entre outros, são referenciados como hinos de uma juventude que tinha como característica a disposição e a curiosidade em enxergar além do horizonte obscuro.
Longe de querer pregar a volta dos poetas revolucionários, apego-me a desejar que nossas crianças não morram na fila dos hospitais e que no futuro apareçam na TV, não como ladrões ou corruptos e sim como atletas, artistas ou simplesmente homens de verdade, cujo os sonhos serão eternizados com gloria e amor.
Pergunto então aos meus semelhantes: Por quanto tempo viveremos apáticos diante aos fatos nefastos que nos consomem e destroem? Por quantos anos viveremos como se não fosse responsabilidade nossa, o avanço de epidemias e o agravamento da miséria e da corrupção? Até quando multiplicaremos espaços em branco entre o poder e o povo? Quantos semelhantes continuaremos a sepultar? E ainda, quanta vergonha ainda teremos que enfrentar?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento!


“...O Haiti é Aqui...”
(Caetano Veloso e Gilberto Gil)


PRA VER E OUVIR
DVD Arnaldo Antunes AO VIVO NO ESTUDIO



Chamado por alguns de poeta, por outros de maluco. O certo é que Arnaldo Antunes a cada dia surpreender seus fãs e críticos com novas e boas canções com um jeito que lhe é peculiar reinventar poesias urbanas como ninguém. Recomendo e bato palmas pra seu DVD AO VIVO NO ESTÚDIO , boas imagens e melodias inteligentes, Arnaldo consegue reunir bons amigos entre eles marisa Montes, Edgar Scandura e velhos amigos dos tempos de Titãs. Com certeza este é um fruto saboroso de um apaixonado por arte que em nenhum momento esconde a sua veia rock n roll.
Leve pra casa e ouça no volume máxima as poesias musicais do eterno Titã!!!


ROMUALDO BRAGA
É PROFESSOR DE HISTÓRIA E PRODUTOR DE RÁDIO